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Como verificar o que o ChatGPT, Gemini e Grok dizem sobre sua marca (guia prático)
7 de agosto de 2026 · 9 min de leitura
Antes de contratar qualquer ferramenta — a nossa inclusive — você pode e deve fazer o primeiro diagnóstico à mão: perguntar às IAs sobre a sua marca do jeito que um cliente perguntaria, e comparar as respostas com os fatos. Este guia mostra como fazer isso com método: os três tipos de pergunta, o que registrar, como interpretar — e onde o teste manual para de funcionar.
Regra número 1: registre tudo, na hora
O valor do teste está no registro, não na lembrança. Para cada pergunta, anote data e hora, engine (e o modelo exibido na interface, quando houver), o prompt exato e a resposta completa, copiada na íntegra. Uma planilha simples resolve:
data_hora | engine | tipo | prompt_exato | resposta_completa | veredito 2026-08-07 14:30 | ChatGPT | BRANDED | "O que é a [marca]?" | (texto integral) | 2 fatos errados 2026-08-07 14:34 | Gemini | CATEGORY | "Melhores [categoria]" | (texto integral) | ausente
Use sessões limpas: janela anônima ou conta sem histórico, com memória e personalização desligadas quando o produto permitir. O objetivo é ver o que um desconhecido vê — não o que a IA aprendeu sobre você nas suas próprias conversas.
Os três tipos de pergunta
No nosso pipeline de medição, os prompts se dividem em famílias de intenção — os nomes abaixo são o jargão que usamos internamente (a mesma taxonomia da metodologia ADR-031), mas a lógica serve para qualquer teste manual. Três famílias bastam para um diagnóstico inicial:
BRANDED — a marca no prompt
O que é a [sua marca]? O que a [sua marca] vende e quanto custa? Quem fundou a [sua marca] e quando? Onde fica a [sua marca]?
O que observar: os fatos batem com a realidade? Ou a resposta apenas devolve o nome que você forneceu, sem informação própria — o que chamamos de eco? Resposta correta e específica é bom sinal; resposta específica e errada é confabulação, o pior resultado possível nesta família.
CATEGORY — a prateleira, sem citar você
Quais as melhores ferramentas de [sua categoria] no Brasil? Que [tipo de produto] você recomenda para [seu público]? Quais opções de [categoria] valem a pena em 2026?
Aqui você não fornece o nome — mede se o engine se lembra de você quando o cliente pede recomendação. É a pergunta mais valiosa comercialmente e a mais dura: na nossa medição de 07/08/2026, as duas marcas que monitoramos tiveram 0% de citação em perguntas de categoria. Ausência é resultado, não falha do teste — anote-a como dado.
DEFENSIVE — reputação e confiança
A [sua marca] é confiável? [sua marca] é golpe? Vale a pena contratar a [sua marca]? A [sua marca] é segura? Como tratam os dados dos clientes?
Sua marca aparece nas IAs?
A gente pergunta às IAs e mostra a resposta bruta, com as fontes que elas citaram.
Testar grátisSão as perguntas que o cliente desconfiado faz — e as mais caras de errar: uma invenção negativa aqui conversa diretamente com a decisão de compra. Observe se o engine responde com fatos, com evasivas ou com material inventado para sustentar um veredito.
| Família | O que mede | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| BRANDED | O que o engine sabe sobre você | Fatos específicos e errados (confabulação) |
| CATEGORY | Se você existe na recomendação | Ausência — a prateleira em que você não está |
| DEFENSIVE | O que dizem quando duvidam de você | Veredito negativo apoiado em fato inventado |
Como interpretar as respostas
Dê um veredito por resposta, nunca uma "impressão geral" da rodada. Se quiser a régua completa, publicamos as cinco classes que usamos (STRONG, DESCRIPTIVE, ECHO, CONFABULATED, ABSENT) em outro post deste blog; para o teste manual, basta ser honesto em três distinções: o engine sabe de mim, o engine repete meu nome, o engine inventa sobre mim. E compare contra fatos escritos com fonte — não contra memória: a fronteira entre "descreveu certo" e "inventou" precisa de referência, não de intuição.
As limitações do teste manual — e são sérias
- Variância: modelos são amostrais — a mesma pergunta, no mesmo engine, minutos depois, pode gerar resposta diferente. Uma rodada é uma fotografia, não uma medição
- Cache e índice: parte dos engines responde a partir de índices e caches com idades diferentes — você pode corrigir o site hoje e continuar vendo a versão velha por semanas
- Contexto da conta: histórico, memória e localização mudam a resposta — o que você vê logado não é o que seu cliente vê
- Janela temporal: modelos e configurações mudam sem aviso; o resultado de hoje pode não valer no mês que vem
- Escala: 3 engines x 3 famílias x meia dúzia de prompts já são dezenas de execuções — repetir isso toda semana, à mão, não se sustenta
Nada disso invalida o teste manual como diagnóstico inicial — invalida como sistema de medição. Para comparar antes e depois, ou acompanhar tendência, é preciso repetição programada, prompts fixos e classificação com critério escrito.
O problema da prova — e como evidência com hash resolve
Há um problema que nem a repetição resolve: prova. Print de tela é editável, e resposta colada em planilha é contestável — um "a IA nunca disse isso" encerra a conversa com um sócio, um cliente ou um advogado. A solução técnica é evidência com hash: no momento da captura, a resposta íntegra é registrada e dela se calcula um hash SHA-256 — uma impressão digital criptográfica em que a alteração de um único caractere muda o valor por completo. Quem tem o hash e o conteúdo consegue provar que aquele texto existia daquela forma naquela data.
É assim que fazemos nas nossas medições: cada resposta capturada gera evidência com hash SHA-256, e qualquer pessoa pode conferir um hash publicamente em genopt.ai/verify — sem conta, sem pedir permissão. O hash não elimina a variância (essa é papel da repetição programada); ele resolve a disputabilidade: transforma "eu vi a IA dizer isso" em um registro datado que terceiros conseguem verificar.
Checklist do teste manual
- Sessão limpa: janela anônima, memória e personalização desligadas
- Mesmos prompts nos três engines, copiados de uma lista fixa
- Registro integral: data, hora, engine, prompt exato, resposta completa
- As três famílias cobertas: BRANDED, CATEGORY e DEFENSIVE
- Veredito por resposta: correta, eco, inventada ou ausente
- Comparação contra fatos escritos com fonte — não contra memória
- Repetição agendada: rode a mesma bateria em algumas semanas antes de concluir qualquer coisa
Juliano Machado
Fundador · GenOpt
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